Tiarajú
Barbosa Lessa
Nas missões dos Sete Povos, nasceu um dia Sepé
Trazendo uma cruz na testa, cicatriz, sinal da fé
Quando o sol batia nele, esta cruz resplandecia
Por isso lhe deram o nome: Tiaraju, à luz do dia
Quando o exército de Espanha e Portugal chegou aqui
Pra expulsar dos Sete Povos toda gente Guarani
Tiaraju, que era cacique, reuniu seus guerreiros
E sem medo dos canhões, atacou só com lanceiros
Tiaraju morreu peleando, no arroio Caibaté
Mas depois de outro combate, todos viram São Sepé
Que vinha morrer de novo, junto à gente Guarani
Pra embeber seu sangue todo, neste chão onde eu nasci
Mais um valente guerreiro, a morrer pelo seu pago
É por isso que seu nome, para o Rio Grande é sagrado
São Sepé subiu pro céu, sua cruz ficou azul
Cai a noite ela rebrilha, ele é o Cruzeiro do Sul
Sepé Tiaraju, Sepé Tiaraju…
Charqueada
Airton Pimentel
Boi no arado, vira terra
Puxa carreta, pesada
Quando velho, já cansado
Vai pro abate, da charqueada
Boi é boi, é boi, é boi
Deus do céu, quanta matança
Pra ter nos campos dinheiro
E nas cidades festança
Se eu não matar, outro mata
Mato eu, nem que não queira
Pois a vida é bala perdida
Morte que é bala certeira
Não pisa fora da verga
Que a terra, é pra plantação
Não quero colheita magra
Arranca do chão meu pão
Fui campear por saber
E me fizesse sabedor
Mas sou, eu não sei nada
E fazer com tua dor
Puxa boi sem esperanças
Olha a faca carneadeira
Pois a vida é bala perdida
Morte que é bala certeira
Irmão de coragem bruta
No mundo nada te abala
Estou falando de um valente
Dos covardes não se fala
No lugar da força bruta
Tenho a fé, sou da viola
Ninguém viola minha vida
Ninguém minha vida viola
Vai pagar com a vida ao dono
Vai na tropa derradeira
Pois a vida é bala perdida
Morte que é bala certeira
Pois minha vida é bala perdida
Morte que é bala certeira
