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Os Tapes

Em nosso nome, de outras e com outras pessoas celebramos os milagres dos encontros e dos inícios, as palavras e cantorias que latejaram em nossas veias e gargantas, os ritmos e melodias que nossos ancestrais e as musas das artes sopraram em nossos ouvidos e espíritos inquietos.

Cultivamos o apreço à sabedoria e aos sentimentos morais espargidos por mulheres e homens nas sucessões dos tempos e nas vastidões do mundo, brindamos a vida em suas espessuras e nos devaneios desatados em compassos estendidos das milongas e por lágrimas furtivas. Balançamos nos passos e abraços de habaneras, dobrados e valsas faceiras. Afeiçoamos nossos ouvidos e corações aos versos e gargalhadas sem mordaças. Nos rastros de legados que nos precederam por milênios e séculos, entre reminiscências, ditos e não ditos, sussurros, arroubos, macias, ásperas, hesitantes ou incisivas palavras, escavamos circunstâncias e significados nos quais nós e nossos protagonistas reais ou imaginários nos movemos entre eles: Aimarás, Mapuches, Caigangues, Guaranis, Guenoas, Farrapos Anônimos, Juana Azurduy, A Simón Bolívar, Peão Velho, Teatino, Pedro Guará, Janaíta, Matilde, Negrito, Gurisito, Sepé Tiaraju, Felícia, Levínia, Ana de Jaguarão, Olegário, Gurisito, Barqueiro e João da Ponte.

José Rafael Koller, José Cláudio Leite Machado, Cláudio Boeira Garcia, Ordelino Silva, José Waldir Souza Garcia, Luis Alberto Koller – CTG Província de São Pedro – Tapes/RS – 1972.
Em pé: Luis Alberto Koller, Cláudio Boeira Garcia, José Cláudio Leite Machado. Agachados: José Waldir Souza Garcia, José Rafael Koller. Tapes/RS – 1973.
1º Acampamento da Arte Gaúcha – Tapes/RS – Janeiro 1975. Jorge Luis Ferreira, José Waldir Garcia, Manoel Acy Terres Vieira, Cláudio Boeira Garcia, Alberi Gonçalves.

Temas, Música, Instrumentos.

Tapes, está encravado em extensa região às margens da Laguna dos Patos, povoada desde milênios por povos originários e a partir do século XV, por levas de ibéricos de Portugal e Espanha e, durante o século XVII e XVIII por africanos escravizados e seus descendentes, por europeus e árabes do oriente médio, com destaque das regiões onde hoje, são territórios de Portugal/Açores, Alemanha, Itália, Polônia, Ucrânia, França, Síria, Líbano, Palestina, Egito e Turquia, Uruguay e Argentina. Região de planuras a perder de vista, de coxilhas, cerros, clima ameno, paisagem exuberante desenhada por lagoas, rios, matas e areais, que por milênios, atraíram e testemunharam deslocamentos, intercâmbios e conflitos, pensares, amores e reminiscências. Nossos personagens às vezes silentes contemplam os movimentos dos lagos, rios e atracadouros, outras, percorrem estreitos caminhos que serpenteiam banhados, cerros, areais, planícies costeiras, serras do erval, e dos Tapes e, um pouco mais adiante a Pampa, a Patagônia e a Cordilheira dos Andes. Vias de deslocamentos de povos originários, de acolhida, conflitos, intercâmbios e adaptações entre humanos e seus instrumentos de trabalho e, também os de festejos laicos e religiosos. Desde nossos avós víamos e ouvíamos sons de rabeca, estribo de cavalo transformado em triângulo, pandeiro, pequenos e médios tambores com pele de cabras, gaita de botão, violas e violões em especial nas Cantorias de Reis que ocorriam anualmente nas regiões e povoados litorâneos relativamente próximos ao povoado de Tapes. Em meados do século XX e nos anos de informação/formação musical dos fundadores do grupo, havia largo intercambio de instrumentos usados no local e em outros mais distantes, entre eles: berimbau, marimbau, pandeiro, reco-recos, flauta transversal, bandoneón, piano, acordeon, gaita ponto, escaleta, gaita de boca, viola, violão, bandolim, cavaquinho e violino. De nossa parte, para em projetos musicais específicos criamos ou adequamos instrumentos de sopro e de percussão entre eles: tumbaquara, taquareira, porongada, e também pequenos médios e grandes tambores, flautas de taquara. Devido às características de nosso processo de criação apresentação (quase à capela), optamos por apoio eletrônico mínimo, microfones de pedestal para voz e instrumentos adequados para audição de tônus quase acústica, decisão adequada, sobretudo, quando o ambiente e público das apresentações eram maiores.

No primeiro plano, Darci Dias Pacheco e José Júlio Prestes, no segundo plano, Jorge Alberto Gonçalves, Cláudio Boeira Garcia e Manoel Acy Terres Vieira, e no terceiro plano, José Waldir Souza Garcia, José Arthur Rebello da Rosa e Jorge Luis Ferreira. 1975
Gravação de Canto da Gente – Darci Dias Pacheco, Cláudio Boeira Garcia, Jorge Alberto Gonçalves, José Júlio Prestes, Manoel Acy Terres Vieira, Jorge Luiz Ferreira, José Arthur Rebello da Rosa e José Waldir Souza Garcia – São Paulo/SP – 1975.
Vila dos Pescadores – Manoel Acy Terres Vieira, Silvio Luis Pereira, José Waldir Garcia, Airton Madeira, Darci Dias Pacheco, José Arthur Rebello, José Júlio Prestes. Centro: Cláudio Boeira Garcia. Final dos anos 70

Grupo amador

Nos organizamos de forma cooperativada para lidar com as demandas de sustentação e infraestrutura do Grupo. Nossas atividades públicas, em geral, eram realizadas em feriados e fins de semana e, salvo exceções, foram viabilizadas com recursos dos promotores. Entre os anos de 1982-1984, integrantes do Grupo se organizaram para realizar temporadas fora dos fins de semana em locais mais distantes dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Antes, durante ou depois da existência de Os Tapes, 09 integrantes exerceram atividades de músicos profissionais, 06 professores, 06 de funcionários públicos, 08 empresários e profissionais liberais.

Vila dos Pescadores – Cláudio Boeira Garcia, Jorge Luis Ferreira, José Júlio Prestes, Pedro Dapper e Ronaldo Ramos Linck. Anos 80

Espaços de encontros e de ensaios

Galpão Fundos da casa do Waldir
(1971-1972) Rua Alcides Alfonsin, Centro, Tapes RS.

Escritório
(1973) Avenida Getúlio Vargas, Centro, Tapes RS.

CEART
(1974/1978) Rua Alcides Alfonsin, 411, Tapes RS.

Cabana de Os Tapes
(1978/1982) Rua Caramuru. Vila dos Pescadores. Balneáreo Rebello, Tapes RS.

Garagem de Eurico Veleda
(1982/1984) Rua Tiradentes, Balneáreo Rebello, Tapes RS.

Escritório da Casa de Claudio Boeira Garcia e Ercília Ana Cazarin
(1984 -1986) Sanga da Charqueada e Rua Caramuru 40. Balneáreo Rebello, Tapes RS.

Cabana Vila dos Pescadores – Pedro Dapper, Cláudio Boeira Garcia, Otacílio Lopes Meirelles, José Júlio Prestes, Jorge Luis Ferreira, Airton Kickhöfel Madeira. Anos 80.

Integrantes

Airton Kickhöfel Madeira
Acordeon, Harmônica, Violão, Voz (1979 – 1982)

Alberi Gonçalves
Percussão (1974 – 1975)

Álvaro Barbosa Cardoso
Letrista (1972 – 1986)

Cláudio Boeira Garcia
Composição, Letrista, Violão, Cavaquinho, Percussão, Voz (1971 – 1986)

Darci Dias Pacheco
Acordeon, Gaita de 8 baixos, Violão, Cavaquinho, Flauta de taquara, Voz, Harmônica (1974 – 1986)

Francisco José Monza Koller
Violão, Voz (1986 – 1988)

Luiz Alberto Koller
Percussão, Voz (1972 – 1974)

Manoel Acy Terres Vieira
Composição, Violão, Viola, Letra, Voz (1973 – 1978)

Maria Enildes Barbosa Machado
Voz (1974)

Jorge Luiz Ferreira
Voz, Violão, Viola, Flauta de taquara (1974 – 1986)

Jorge Alberto Gonçalves (Betinho)
Percussão (1974 – 1978)

José Arthur Rebello da Rosa
Percussão, Tumbaquara, Taquareira, Porongada, Voz (1975 – 1980)

José Cláudio Leite Machado
Composição, Violão, Acordeon, Voz (1971 – 1973)

José Waldir Souza Garcia
Composição, Violão, Viola, Flauta de taquara, Flauta Transversal, Voz (1971 – 1980)

José Júlio Prestes
Percussão, Flauta transversal, Flauta de taquara, Voz (1975 – 1986)

José Rafael Koller
Bandoneón, Serrote (1972 – 1974)

Otacílio Lopes Meirelles
Composição, Letrista, Violão, Viola, Voz (1980 – 1986)

Ordelino Silva
Percussão (1971 – 1972)

Pedro Ivo Dapper
Percussão (1980 – 1986)

Reni Gonçalves Alencastro
Administração (1975 – 1977)

Ronaldo Ramos Linck
Violão, Voz (1979 – 1984)

Silvio Luiz Pereira
Sonorização (1975 – 1986)

Viro Francisco Frantz
Administração (1982 – 1984)

Apresentação Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul – Porto Alegre/RS – 1988 – Rafael Koller, Francisco Koller, José Waldir Garcia, José Júlio Prestes, Jorge Luis Ferreira.

Participações Especiais

Carlos Gilberto Boeira Garcia
Violão, Percussão e Voz (1974)

Carlos Cazarin Garcia
Violão – CD Estações das Águas e Apresentação Ijuí (2007)

Cellau Moreira
Violino – CD Estações das águas (2002)

Gabriel Madeira
Apresentação Estações das Águas Ijuí (2002)

Gilberto Monteiro
Gaita Ponto – CD Estações das águas (2002)

Marcus Lopes
Percussão – Gravação – CD Estações da Águas 2002 e Apresentação Ijuí (2002)

Mário Barros
Violão – CD Estações das Águas (2002)

Mario Pachado: Martin Coplas
Violão, Flauta, Percussão, Charango, Quena
Participação em apresentações e oficinas de quena (1974 -1976).
Produção do Álbum Os Tapes (1982)

Matheus Schneider
Bandolim – Apresentação Estações das Águas Ijuí (2002)

Miguel Angel Aquilano
Arranjo instrumental e vocal em Temas de América Andina e Pampeana (1975-1976)

Paulo Dorfman
Arranjo e Teclado – CD Estações das Águas (2002)

Paulo Rudi Schneider
Bandolim e Violino – CD Estações das Águas (2002) e Apresentação Estações das Águas Ijuí (2002)

Ricardo Madeira
Apresentação Estações das Águas Ijuí (2002)

Rosane Cattani
Voz – Apresentação Festival La Madera – Argentina (1988)

Stela Maris Raimondo
Assessoria de língua espanhola para as composições em Temas de América Andina e Pampeana. (1975 – 1976)

Vagner Cunha
Violino – CD Estações das Águas (2002)

Vilimar Sasso Hardt
Percussão – Cosquín/Argentina (1974)

Os Tapes & Santa Preguiça

Ana Tereza Pereira Neto
Percussão.
(Junho – Dezembro de 1983­) Alegrete, Ijuí, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria, Vacaria.
Projeto Cantar – Festival de música estudantil (Novembro de 1983) e Apresentação no Salão de Atos da UFRGS (Novembro de 1983)

Texo Cabral
Violão, Flauta.
(Junho – Dezembro de 1983­) Alegrete, Ijuí, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria, Vacaria.
Projeto Cantar – Festival de música estudantil (Novembro de 1983) e Apresentação no Salão de Atos da UFRGS (Novembro de 1983)

Ubiratan Carlos Gomes
Composição, violão e voz.
(Junho – Dezembro de 1983­) Alegrete, Ijuí, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria, Vacaria.
Projeto Cantar – Festival de música estudantil – novembro de 1983 e Apresentação no Salão de Atos da UFRGS (Novembro de 1983)

Estações das Águas – Marcus Lopes, José Júlio Prestes, Carlos Garcia, Ricardo Madeira, Cláudio Garcia, Gabriel Madeira, Airton Madeira, Otacílio Meirelles, Darci Dias Pacheco, Paulo Rudi Schneider, Matheus Schneider. Ijuí/RS. 2002.

Colaboradores

Cristiano Garcia Heredia
Produção – CD Estações das Águas (2002)

Denusa Franzen
Fotografia álbum Não Tá Morto Quem Peleia (1980)

Enio Graeff
Cenário, iluminação projeto Não Tá Morto Quem Peleia (1978 – 1980)

Ercília Ana Cazarin
Comunicação (1980 – 1982)

Norton Figueiredo Corrêa
Pesquisador Maçambique de Osório – Não Tá Morto Quem Peleia (1978 – 1980)

Silvio Rebello da Rosa
Luz, Cenários, Cartazes, Fotografia (1978- 1988) Não Tá Morto Quem Peleia e Estações das Águas.

Luiz Carlos Golin
Colaborador do projeto Chão, Estrada e Canção (1978)

Trajetórias de integrantes pós Os Tapes

Integrantes de Os Tapes, José Cláudio Leite Machado (1971-1973) Rafael Koller (1971-1974) Waldir Souza Garcia (1971-1980) e Acy Terres Vieira (1974-1978) realizaram extensa e variada atividade musical individual e em Parceria na qual constam obras de criação musical, apresentações, gravações de Lps, CDs, solos e recitação de poemas. Airton Madeira, Alberi Gonçalves, Claudio Boeira Garcia, Darci Dias Pacheco, Francisco Koller, Jorge Luis, Jose Júlio Prestes, Otacílio Lopes Meirelles, Pedro Ivo Dapper, Silvio Luis Pereira exerceram ou, eventualmente exercem ou atividades relacionadas às artes e à música.